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Jornal O DIA: Máquinas caça-níqueis proliferam ao lado da polícia do Rio

abril 18, 2010 por marcia 

caca-niqueis.jpgBiscaia alerta que “contraventores estão cada vez mais ousados”

Alheios à presença de policiais, apontadores do jogo do bicho desafiam as forças de segurança e de Justiça. De quarta a sexta-feira, o jornal O Dia registrou a movimentação nos pontos de apostas e máquinas caça-níqueis que funcionam nos arredores de batalhões e delegacias de polícia sem a menor interferência. As bancas também se ampliam para os arredores do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa (Alerj), no Centro.

Já a poucos metros da sede da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, bares e restaurantes mantêm máquinas de caça-níqueis e musicais - cujos componentes são contrabandeados -, outra fonte milionária de renda para os contraventores.

Na Central do Brasil, o vaivém de policiais que trabalham na Secretaria de Segurança Pública e na 4ª DP (Central) não assusta os apontadores do Camelódromo a cerca de 50 m das duas unidades. O mesmo acontece na Avenida Gomes Freire. Em bares a pouco mais de 100 metros da sede da Chefia de Polícia Civil, da 5ª (Mem de Sá), da 1ª DP (Praça Mauá) e da sede da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), maquininhas nas portas ficam à espera dos jogadores.

No Bar e Restaurante Bingo da Barão, em frente ao 6º BPM (Tijuca), caça-níquel instalado desde 2007 serve como diversão para os clientes. PMs do batalhão, que fazem lanches no estabelecimento, demonstram não se importar com a irregularidade.

A maioria dos comerciantes não se preocupa em esconder as maquininhas. É o caso do Terrasse Bar, no Terminal Rodoviário Mariano Procópio, na Praça Mauá. Apesar de ficar a 20 metros da PF, a casa exibe uma engenhoca musical. Na Travessa Natividade, situada entre o Fórum, a Alerj e a Procuradoria Geral do Estado, apontadores passam o dia acomodados em cadeiras efetuando apostas.

Na Alerj, apontador amigo de guardas
O movimento nesses pontos é frenético. A todo momento alguém chega para fazer uma “fezinha”. O mesmo acontece numa banca improvisada em frente à Alerj, na esquina da Av. Presidente Antônio Carlos com a Rua da Assembleia. No local, na entrada de um restaurante, apontador identificado como Careca cumpre 10 horas diariamente, demonstrando intimidade com guardas municipais, com quem conversa por várias vezes.

Nas imediações do 5ª BPM (Praça da Harmonia), a farra das maquininhas também impera. No interior do Bar e Restaurante Galante, a 200 m da unidade, seis máquinas encobertas por caixas de cerveja funcionam a todo vapor. Os responsáveis pelos estabelecimentos alegam que são obrigados a manter as máquinas e juram que desconhecem quem são os donos do negócio.

A Secretaria de Segurança não quis comentar a presença de jogo do bicho e caça-níqueis nas cercanias de unidades de polícia. Essa semana, durante prisão de 24 pessoas envolvidas com a máfia dos caça-níqueis, entre eles seis PMs, um ex-PM e um policial civil, o superintendente da Polícia Federal, Ângelo Gióia, afirmou que a conivência de agentes do estado com a jogatina é que assegura a liberdade de ação da contravenção. “A participação de policiais é crucial neste esquema”, criticou ele. Um dos presos é o presidente da Unidos de Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, o Moisés.

Relatório da PF deu origem a inquérito
Filmagens de apontadores do bicho atuando perto de delegacias e batalhões da PM feitas pela Polícia Federal em dezembro de 2009 deram origem a relatório encaminhado à Procuradoria Geral de Justiça do Rio. O coordenador da 1ª Central de Inquéritos, promotor Homero Freitas, determinou, em fevereiro, que a Corregedoria da Polícia Civil abrisse inquérito para apurar “possível omissão de policiais civis no combate à contravenção”. O inquérito é presidido pelo delegado Juber Baesso. A Polícia Civil informou que Baesso está proibido de comentar as investigações.

Um dos maiores combatentes do jogo do bicho no Rio, o ex-procurador geral de Justiça do estado, Antônio Carlos Biscaia - autor da denúncia que, em 1993, levou 14 homens da cúpula da contravenção para a cadeia -, garante: “Enquanto houver tolerância política e corrupção por parte de maus policiais, a situação atual não vai mudar’.

Segundo Biscaia, os contraventores estão cada vez mais ousados. “Capazes de praticar até crimes cinematográficos (referindo-se à explosão do carro blindado que matou Diogo, 17, filho do contraventor Rogério Andrade, 47, no Recreio). Hoje, para andar no Centro, tenho que escolher caminhos para não cruzar com apontadores do jogo”. (Agência O DIA, 17/04/10)



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