Invasões no Jardim Botânico viram caso político
setembro 23, 2010 por marcia
O Globo Online, 22/09/10
RIO - Um assunto administrativo passou a ser tratado no âmbito partidário. A polêmica envolvendo a reintegração de posse de 589 casas que ocupam o terreno do Jardim Botânico chegará ao diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) na capital. O presidente do PT do Rio, Alberes Lima, está aguardando só a realização das eleições, em 3 de outubro, para convocar o partido, a fim de tomar uma posição política sobre a questão. A presidente da Associação de Moradores do Horto (Amahor, que representa 19 comunidades), Emília Maria de Souza, é integrante da 1ª Zonal (Zona Sul) do PT e irmã do deputado federal e ex-ministro da Integração Racial Edson Santos.
Entre petistas, a posição da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) - de suspender a reintegração de posse, obtida na Justiça, até que seja finalizado o processo de regularização fundiária na área - está longe de ser consenso. O deputado federal Antônio Carlos Biscaia, que vem acompanhando o embate, por exemplo, discorda do fato de a SPU ter interrompido as negociações entre as partes:
- A minha posição sempre foi a da legalidade, a de respeito às decisões judiciais. O caminho, nesse caso, é a busca de entendimento. É preciso regularizar alguns imóveis. Mas, no arboreto (área de visitação) do Jardim Botânico, não é possível haver pessoas morando. O assunto tem de ser discutido sem radicalismo de ambas as partes. O Jardim Botânico é um patrimônio da cidade, do estado e do país.
Alberes Lima, apesar de ressalvar que o tema ainda será objeto de analise do partido, deu sua posição pessoal:
- De antemão, o que posso dizer é que a direção do Jardim Botânico não tem ingerência sobre as casas. A tutela desses imóveis é da SPU. Vou brigar pela SPU.
Uma troca de e-mails entre Emília, o presidente da 1 Zonal do PT, Ricardo Quiroga, e Eugênia Loureiro, outra integrante da Zonal, mostra a dimensão política que tomou a discussão sobre a desocupação dos imóveis na área do Jardim Botânico. “Venho desde há muito tempo advertindo a direção do partido sobre o comportamento da direção do Jardim Botânico, mas infelizmente nunca tomaram uma posição sobre o assunto”, provoca Emília, em e-mail dirigido a Quiroga, com várias cópias. Na troca de mensagens eletrônicas, Eugênia insiste no tom político: “Faltam duas semanas. Depois disso, no dia 4 de outubro, o quadro pode mudar. Muita paciência e muita resistência”. Ricardo Quiroga, por sua vez, assumiu um compromisso pela internet com Emília: “Me comprometo a buscar a direção municipal do PT para avocar para si a questão no mais curto espaço de tempo”.




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